Alterações no perfil da microbiota bucal durante permanência na UTI: colonização por patógenos respiratórios potenciais

Karoline de Souza Chinasso Tulio, Roberta Targa Stramandinoli-Zanicotti, Acir Jose Dirschnabel, Juliana Lucena Schussel, José Henrique Schettini Wasilewski, Andrea Krelling, Olair Carlos Beltrame, Carla Regina Worliczeck Martins, Laurindo Moacir Sassi

Resumo


Introdução: Pacientes hospitalizados em Unidade de Terapia Intensiva (UTI) geralmente mostram má higiene bucal, o que contribui significativamente para o agravamento da contaminação local, com a presença de patógenos respiratórios potenciais. Objetivo: Caracterizar qualitativamente o perfil da microbiota bucal durante permanência na UTI, além da identificação de alterações bucais e salivares. Materiais e métodos: Foi realizado um estudo prospectivo em pacientes internados na UTI de um hospital oncológico, os quais foram avaliados clínica e microbiologicamente após 24 (T1), 72 (T2) e 120 (T3) horas consecutivas à admissão na UTI. Foram identificados os principais patógenos em cada momento e o perfil da microbiota oral foi comparado. Resultados: A amostra final foi de 30 pacientes, 23 homens e 7 mulheres, com idade média de 61 anos. Em T1, 96,67% dos pacientes apresentaram crescimento de microorganismos patogênicos, sendo identificados 14 tipos diferentes. Em T2 18 tipos de patógenos diferentes e em T3, 21 tipos, dos quais os mais prevalentes nas três coletas foram Staphylococcus não produtor de coagulase  e Candida albicans. Clinicamente foram observados presença e progressão do biofilme visível (61%), cálculo (36,89%), condição periodontal deficiente (33,11%). Em relação à condição salivar verificou-se saburra lingual (92,11%), ressecamento labial (86,67%), hipossalivação (36,67%), assialia (52%) e escoamento salivar (8,89%). Conclusão: O biofilme do dorso de língua de pacientes em UTI pode representar um nicho considerável de patógenos respiratórios potenciais, uma vez que microorganismos etiológicos relacionados à pneumonia nosocomial foram isolados já no primeiro dia de internação, com a colonização subsequente por uma variedade de microorganismos predominantemente gram-negativos.

Descritores: Pneumonia Aspirativa; Biofilmes; Infecção Hospitalar; Unidade de Terapia Intensiva.


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DOI: http://dx.doi.org/10.21270/archi.v7i9.3009

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