Eletroconvulsoterapia como prática psiquiátrica: revisão de literatura

Bruno Braga José, Marlene Cabral Coimbra da Cruz

Resumo


Introdução: A eletroconvulsoterapia é um procedimento que utiliza uma corrente elétrica para induzir uma crise convulsiva sob anestesia geral, com o objetivo de produzir alterações no comportamento e melhoras nos sintomas psiquiátricos. Objetivo: revisar a literatura com relação ao procedimento, indicações, contraindicações e implicações éticas na prática psiquiátrica. Material e Método: foi realizada uma pesquisa de livros texto e de publicações obtidas nas bases de dados BVS, Medline e Scielo sobre o tema. Resultados: Apesar de todos os avanços, o mecanismo de ação da ECT ainda é desconhecido, e existem diversas teorias sobre seu funcionamento. É tratamento de primeira escolha nos casos de necessidade de melhora rápida, como depressões graves e grande risco de suicídio, e como segunda escolha, quando existe ausência de resposta terapêutica satisfatória de psicofármacos. É preciso avaliar os riscos cardiológicos decorrentes da anestesia, e testes neuropsicológicos são importantes para acompanhar alterações cognitivas que podem ocorrer. O Conselho Federal de Medicina reconhece a importância deste método terapêutico e regulamenta sua aplicação e cuidados, sendo um ato médico a ser realizado em ambiente com infraestrutura adequada de suporte à vida e a procedimentos anestésicos e de recuperação. Conclusão: a eletroconvulsoterapia é um tratamento eficaz para remissão de sintomas graves psiquiátricos, principalmente quando se precisa de resultados rápidos. Porém sua prática ainda é controversa, apesar de ser regulamentada pelo Conselho Federal de Medicina.

Descritores: Eletroconvulsoterapia; Eletricidade; Psiquiatria.

Referências

  1. Jesus GN. Anestésicos e eficácia da eletroconvulsoterapia em pacientes com depressão maior: revisão sistemática. Monografia do Curso de Medicina. Salvador: Universidade Federal da Bahia;2015.
  2. Shiozawa P, Netto GTM, Cordeiro Q, Ribeiro RB. Eletroconvulsoterapia para o tratamento de depressão psicótica refratária em paciente com desnutrição grave: estamos esquecendo a ECT? Rev Debates Psiquiatr. 2014;6-10.
  3. Silva MLB, Caldas MT. Revisitando a técnica de eletroconvulsoterapia no contexto da reforma psiquiátria brasileira. Psicol cienc. 2008;28(2):344-61.
  4. CFM, Conselho Federal de Medicina. Resolução n° 2.057. Consolida as diversas resoluções da área da Psiquiatria e reitera os princípios universais de proteção ao ser humano, à defesa do ato médico privativo de psiquiatras e aos critérios mínimos de segurança para os estabelecimentos hospitalares ou de assistência psiquiátrica de quaisquer naturezas. Brasília: Diário Oficial da República Federativa do Brasil; 2013.
  5. Ávila MD. Eletroconvulsoterapia: da origem à aplicação modificada [monografia]. Porto Alegre: Universidade Federal do Rio Grande do Sul; 2010.
  6. Pastore DL, Bruno LM, Nardi AE, Dias AG. O uso da eletroconvulsoterapia no Instituto de Psiquiatria da Universidade Federal do Rio de Janeiro no período de 2005 a 2007. Rev Psiquiatr Rio Gd Sul. 2008;30(3):175-82.
  7. Sadock BJ, Sadock VA, Ruiz P. Compêndio de psiquiatria. ciência do comportamento e psiquiatria clínica. 11. ed. Porto Alegre: Artmed; 2017.
  8. Louzã MR Neto, Elkis HE. Psiquiatria Básica. 2.ed. Porto Alegre: Artmed; 2007.
  9. Forlenza OV, Migues EC. Compêndio de clínica psiquiátrica. Barueri: Manole; 2012
  10. Madeira N, Santos T, Relvas JS, Abreu JLP, Oliveira CV. Eletroconvulsoterapia no tratamento da psicose puerperal. J bras psiquiatr. 2012;61(1):45-8.
  11. Hales RE, Yudofsky SC, Gabbard GO. Tratado de Psiquiatria Clínica 5. ed. Porto Alegre: Artmed; 2012.
  12. Barbosa IG, Rocha FL. Eletroconvulsoterapia na terapêutica da mania em paciente com hidrocefalia. J bras psiquiatr. 2008;57(4):276-79.
  13. Yudofsky CS, Hales ER. Fundamentos de neuropsiquiatria e ciências do comportamento. 2. ed. Porto Alegre: Artmed; 2013.
  14. Del Porto J. Atualidades sobre eletroconvulsoterapia. SNC em foco. 2006;2(2):16-26.
  15. Alvarenga PG, Andrade AG. Fundamentos em psiquiatria. Barueri: Manole; 2008.
  16. Antunes PB. Efeito da eletroconvulsoterapia sobre sintomatologia psiquiatria e qualidade de vida [dissertação]. Porto Alegre: Universidade Federal do Rio Grande do Sul - UFRS; 2008.
  17. Andreasen CN, Black WD. Introdução a Psiquiatria. 2. ed. Porto Alegre: Artmed; 2011.
  18. Rosa MA, Rosa MO. Fundamentos da eletroconvulsoterapia. Porto Alegre: Artmed; 2015.
  19. Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP). Eletroconsulsoterapia. Diretrizes AMB.  97p.
  20. Rosa MA, Rosa MO, Belegarde IMT, Bueno CR, Fregni F. Recuperação pós-eletroconvulsoterapia: comparação entre propofol, etomidato e tiopental. Rev Bras Psiquiatr. 2008;30(2):149-51.
  21. Antunes PB, Rosa MA, Belmonte-de-Abreu PS, Lobato MIR, Fleck MP. Eletroconvulsoterapia na depressão maior: aspectos atuais. Rev Bras Psiquiatr. 2009;31(supl 1):S26-33.
  22. Bueno CR. Titulação do limiar convulsígeno e segurança cardiovascular[mestrado] São Paulo: Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo - USP; 2009.
  23. Salleh MA, Papakostas I, Zervas I, Christodoulou G. Eletroconvulsoterapia: critérios e recomendações da Associação Mundial de Psiquiatria. Rev Psiq Clin. 2006;33(5):262-67.
  24. Bauer M, Whybrow PC, Angst J, Versiani M, Möller HJ. Força-Tarefa da WFSBP sobre Diretrizes de Tratamento para Transtornos Depressivos Unipolares. Diretrizes da World Federation of Societies of Biological Psychiatry (WFSBP) para tratamento biológico de transtornos depressivos unipolares, 2ª parte: tratamento de manutenção do transtorno depressivo maior e tratamento dos transtornos depressivos crônicos e das depressões subliminares. Rev Psiquiatr Clín. 2009;36(supl 2):58-76.
  25. Gul IG, Eryilmaz G, Sayar GH, Ozten E, Arat MM, Tarhan N. Avaliação da eficácia da eletroconvulsoterapia contínua para esquizofrenia resistente ao tratamento. Rev Psiq Clín. 2014;41(4):90-4.
  26. Campos CJG, Higa CMH. Opinião e conhecimento de pacientes e familiares sobre o uso da eletroconvulsoterapia: implicações para a enfermagem. Rev Esc Enferm USP. 1997;31(2):191-205.
  27. Tassis FP. Cura, Castigo? Um estudo sobre a criação da eletroconvulsoterapia (ECT) e sua utilização em pacientes no estado do Espírito Santo [dissertação]. Universidade Federal do Espírito Santo – UFES; 2013.
  28. Machado FB, Moraes-Filho IM, Fidelis A, Almeida RJ, Nascimento MSSP, Carneiro KC. Eletroconvulsoterapia: implicações éticas e legais. Rev Cient Sena Aires. 2018;7(3):235-47.

Texto completo:

PDF


DOI: http://dx.doi.org/10.21270/archi.v8i10.3609

Indexação em Base de Dados (Catálogo de Revistas Científicas)
  • BBO - Bibliografia Brasileira de Odontologia
  • BVS – Biblioteca Virtual em Saúde
  • BIREME - Portal de Revistas Científicas em Ciências da Saúde
  • LATINDEX - Sistema Regional de Información en Línea para Revistas Científicas de América Latina, el Caribe
  • SEER - Diretório de Revistas Brasileiras em SEER
  • DIADORIM - Diretório de Políticas de Acesso Aberto das Revistas Científicas Brasileiras
  • PKP - Public Knowledge Project
  • SCHOLAR GOOGLE